Quando parte dos pacientes chega encaminhada e parte chega por conta própria
Duas origens de demanda que pedem campanhas opostas
Quem chega com pedido médico já sabe o que precisa fazer e está escolhendo onde; procura por proximidade, horário e convênio, e decide rápido. Quem chega por dor está antes disso: não sabe se o caso é de fisioterapia, e a busca dele descreve o incômodo. São dois estágios diferentes, e a mesma peça atende mal os dois.
Duas estruturas, com promessas e páginas distintas: uma que responde "atendemos esse pedido, com este convênio, nestes horários" e outra que explica o que costuma ser avaliado e quando faz sentido procurar. Também muda o indicador — o encaminhado se mede por avaliação realizada, e o espontâneo, por avaliação que virou plano.
Quando o tratamento é vendido como série de sessões
A venda é o pacote, e a decisão dele vem depois da avaliação
A avaliação é barata de conseguir e não paga a conta. A conversa que decide o negócio acontece logo depois dela, quando alguém precisa explicar quantas sessões, com que frequência, por quanto tempo e a que custo. Se essa conversa for improvisada, o resultado varia com quem estava na recepção naquele dia — e a campanha leva a culpa por uma queda que aconteceu ali.
Parte dessa conversa sai da clínica e entra na página, escrita como orientação: como funciona um plano, o que costuma variar, o que acontece se houver interrupção. O que se mede deixa de ser agendamento e passa a ser plano iniciado e plano concluído, por origem. É trabalho de registro, não de tecnologia.
Quando a clínica atende por convênio com número de sessões autorizado
O convênio impõe teto ao que um paciente pode valer
No particular, o tamanho do plano é definido pela necessidade e pela negociação. No convênio, ele é definido por autorização, com número de sessões e valor por sessão fixados por terceiro. São dois negócios de teto muito diferente convivendo na mesma agenda e chegando pelo mesmo formulário — e o volume tende a vir do lado com teto mais baixo.
As duas origens ganham campanhas e limites de custo próprios. Isso não é recusar convênio: é saber quanto custou cada um e decidir com o número na mão quanto da agenda cada um deve ocupar. Enquanto a fila for única, a plataforma otimiza pelo que converte mais fácil, que costuma ser o de menor teto.
Quando a clínica quer publicar imagem, texto ou áudio de atendimento
Mostrar tratamento tem regra própria, e ela tem duas metades
As duas normas precisam ser lidas juntas. A Resolução COFFITO 424/2013 veda, no art. 15, V, inserir em anúncio fotografia que identifique paciente, inclusive as que comparam quadros anteriores e posteriores ao tratamento, e no art. 15, III veda prometer terapia infalível ou de eficácia não comprovada. A Resolução COFFITO 532/2021 autoriza divulgar imagem, texto e áudio de paciente mediante Termo de Consentimento Livre e Esclarecido prévio, exigindo que a publicação traga nome do profissional, número de inscrição e a data — e veda divulgar caso clínico de terceiro.
Na prática, o conteúdo de tratamento é possível e tem custo operacional: consentimento assinado antes, identificação e data na peça, e nada de material de outra pessoa. Como isso dá trabalho, a maior parte do mercado publica imagem genérica de banco — o que abre espaço para quem organizar o processo uma vez e usar material próprio o ano inteiro.
Quando o atendimento depende de sala, aparelho ou espaço além do profissional
A capacidade é o produto de duas restrições, não de uma
Uma clínica pode ter fisioterapeuta livre e nenhuma sala, ou sala vazia e ninguém para atender. As duas coisas precisam coincidir no mesmo horário, e é por isso que a agenda enche muito antes do que a conta de profissionais sugere. Campanhas dimensionadas pelo número de profissionais superestimam a capacidade com frequência.
O teto de verba é calculado pelo par que de fato existe — profissional e espaço no mesmo horário —, e a leitura de ocupação passa a ser por faixa de horário. Isso costuma revelar que o problema não é falta de paciente: é excesso de paciente querendo o mesmo fim de tarde.