Quando a avaliação é gratuita ou custa pouco para quem marca
A conversão útil é a avaliação comparecida, não a marcada
Agendamento sem compromisso financeiro é uma promessa barata. Uma parte previsível não comparece, e a ausência tem custo cheio: a hora ficou reservada, a equipe ficou parada e a plataforma registrou aquilo como sucesso. Nenhum ajuste de anúncio corrige isso, porque o anúncio cumpriu o que foi pedido.
O sinal enviado à plataforma passa a ser o comparecimento, com o retorno vindo da agenda. E o intervalo entre marcar e comparecer vira trabalho declarado — confirmação, lembrete, remarcação com data —, porque é ali que a queda acontece, não no clique.
Quando a maior parte da receita vem de tratamento com várias sessões
O procedimento que atrai não é o procedimento que paga
A busca com volume é por procedimento simples e de preço conhecido. O faturamento vem de tratamento longo, aprovado em plano, muitas vezes parcelado. Anunciar o primeiro traz gente; converter no segundo depende de uma conversa que acontece na cadeira, dias depois do clique — e que nem sempre é a conversa que a pessoa esperava ter.
A campanha assume que o procedimento anunciado é porta, e a página prepara para o que vem depois: como funciona a avaliação, o que ela conclui, o que costuma acontecer quando o achado é maior do que a queixa. Prometer só o procedimento simples e apresentar um plano completo na cadeira é o caminho mais curto para a recusa.
Quando o tratamento exige retorno presencial em várias sessões
O deslocamento define o público antes de qualquer segmentação
Ninguém atravessa a cidade oito vezes por um tratamento que existe perto de casa ou do trabalho. O raio real de atendimento não é o que a clínica gostaria: é a distância que a pessoa aceita percorrer repetidas vezes. Anúncio exibido fora desse raio produz contato que não vira sessão e ainda ensina a plataforma a procurar mais dele.
A área é decidida antes do orçamento, e costuma ser menor do que parece. Em compensação, dentro dela a disputa é por atenção local, e a informação prática — onde fica, como chegar, se há estacionamento, qual o horário — pesa mais do que qualquer adjetivo sobre a clínica.
Sempre que a peça mencionar valor, condição de pagamento ou desconto
Anunciar preço é permitido; perseguir o paciente, não
A Resolução CFO-271/2025, de 18/06/2025, em cumprimento a decisão do CADE, revogou o art. 32, XIII e alterou o art. 44, XIV do Código de Ética Odontológica: cartão de desconto saiu do rol de infração. O que continua vedado no mesmo inciso é o aliciamento de pacientes por telemarketing ativo, caixa de som e panfletagem, entre outros meios que caracterizem concorrência desleal. E o art. 44, VII segue tratando como infração o anúncio falso, irregular ou imoral destinado a aliciar.
A fronteira prática é entre publicar uma condição e ir atrás de quem não pediu. Preço na página é uma coisa; sequência de ligações para quem apenas visitou o site é outra. Vale também lembrar que o art. 45 estende a responsabilidade ao proprietário e ao responsável técnico, o que coloca a aprovação da peça dentro da clínica.
Sempre que a peça mencionar especialidade, formação ou área de atuação
Título e especialidade anunciados precisam existir no registro
O art. 44 do Código de Ética Odontológica trata como infração anunciar título, qualificação ou especialidade que não se possui, e também divulgar técnica ou terapia sem comprovação científica. É a linha em que a peça mais comum do setor costuma tropeçar, porque "especialista em" é a expressão que melhor converte e a que exige registro.
Cada afirmação de especialidade na peça é conferida contra o registro antes de subir, e o que não estiver registrado é escrito de outro jeito — descrevendo o que se faz, e não o título que não se tem. É restrição de redação, e não de investimento.