Quando o público chega por conta própria, sem encaminhamento
Quase ninguém procura pela profissão: procura pelo que está sentindo
A pessoa digita o que a incomoda — não dormir, crise de ansiedade, luto, término, dificuldade no trabalho — e não o nome da profissão. Quem digita "psicólogo" costuma já ter decidido procurar um, o que faz desse termo o mais caro, o mais disputado e o menor do conjunto. E cada sintoma é um público diferente, com urgência e disposição diferentes.
A campanha se organiza pelo vocabulário de quem está com o problema, com uma conversa por tipo de questão, e não uma campanha só sobre terapia. Isso muda também o destino: uma página que fala sobre aquela questão específica responde à dúvida que trouxe a pessoa, enquanto a página institucional responde a uma pergunta que ela ainda não fez.
Quando quem anuncia é psicólogo inscrito ou pessoa jurídica de serviço psicológico
As duas provas mais usadas em anúncio de serviço estão fora
A Resolução CFP 003/2007, nos arts. 53 a 58, e o art. 20 do Código de Ética delimitam a divulgação: a peça precisa trazer nome completo, a palavra psicólogo, a sigla do CRP e o número de inscrição (art. 53); é vedado usar diagnóstico, análise de caso ou orientação que identifique o sujeito (art. 54); a comunicação em mídia se justifica pelo objetivo informativo ou educativo (art. 55); e há obrigação de esclarecer a natureza básica do serviço (art. 56). Preço como argumento de propaganda e depoimento de paciente não cabem nesse desenho.
O criativo é construído sobre o que a norma pede em vez de contornar o que ela proíbe — e isso é uma vantagem competitiva disfarçada de limitação, porque explicar com clareza como funciona o atendimento é trabalhoso e quase ninguém faz. Na prática: quem atende, formação e abordagem, para que tipo de questão, como é a primeira conversa, duração e frequência, e o que a pessoa deve esperar.
Quando o atendimento é recorrente em horário fixo semanal
A capacidade é uma grade de horários, não um número de atendimentos
Um paciente novo não ocupa uma vaga: ocupa aquela vaga, toda semana, por meses. Os horários no fim da tarde e no início da noite se esgotam primeiro e os do meio da manhã sobram — e o anúncio, que não sabe disso, continua trazendo gente para um horário que não existe mais. A frustração aparece dos dois lados: o consultório parece cheio e a agenda tem buracos.
A campanha passa a ter alvo por faixa de horário, e a disponibilidade real entra na conversa antes do agendamento, não depois. Também muda o que se compra: quando só sobram horários difíceis, a decisão certa costuma ser reduzir a mídia e trabalhar a lista de espera, e não comprar mais contato para uma vaga que não existe.
Quando o atendimento é ou pode ser feito à distância
On-line remove o raio, e junto remove a proteção que o raio dava
No presencial, a concorrência é o profissional do bairro ao lado e o custo de alcançar essa vizinhança é baixo. No on-line, o público é o país inteiro — e a concorrência também. São dois negócios com preços de mídia muito diferentes, e é comum que a mesma conta esteja comprando os dois ao mesmo tempo sem que ninguém tenha decidido isso.
A decisão vem antes da campanha: presencial, on-line ou os dois com contas separadas, cada uma com seu limite de custo. Misturar produz uma média enganosa, em que o alcance barato do bairro disfarça o custo alto do país. E, se os dois forem manter-se, a página precisa dizer com clareza qual formato está sendo oferecido, porque a expectativa errada aparece depois, na primeira sessão.
Quando o acompanhamento se estende por meses
A receita não está na primeira sessão, e a mídia costuma ser julgada por ela
O que um paciente vale não é o valor de uma sessão: é o de quantas sessões ele fará. Uma campanha avaliada pela primeira sessão lê uma fração pequena disso e parece cara. Pior: otimizar pelo volume de primeiras sessões tende a atrair quem experimenta e não segue, o que enche a agenda de vagas que abrem de novo em três semanas.
A leitura passa a incluir a permanência: quantos seguem depois do primeiro mês, e por origem. É um dado que só o próprio consultório tem e que raramente é anotado. Com ele, a conversa sobre verba muda de natureza — deixa de ser sobre o custo do contato e passa a ser sobre quanto tempo uma vaga preenchida se mantém preenchida.