Tráfego pago · psicólogos e clínicas de psicologia

Tráfego pago para psicólogos, sem as duas provas que todo anúncio de serviço usa.

Preço e depoimento de cliente são o atalho de qualquer campanha de serviço, e as normas do Conselho Federal de Psicologia não admitem nenhum dos dois. O que resta é mais lento de construir e mais difícil de copiar.

Para psicólogos e clínicas que trabalham com sessão recorrente em horário fixo, atendendo presencialmente, on-line ou nos dois formatos.

O que muda quando preço e depoimento saem da mesa

Muda o que a peça precisa fazer para ser escolhida. Sem valor anunciado e sem relato de paciente, o anúncio não pode competir por barato nem por prova social, e passa a competir por clareza: quem atende, com que abordagem, para que tipo de questão, como é a primeira sessão e o que acontece depois dela. A Resolução CFP 003/2007 ainda exige que a peça traga o nome completo, a palavra psicólogo, a sigla do CRP e o número de inscrição, e o art. 54 proíbe usar em publicidade qualquer análise de caso que identifique a pessoa. Some-se a isso a estrutura da agenda — vaga fixa toda semana, e não atendimento avulso — e a conta de mídia deixa de ser sobre volume de contato.

Cinco pontos em que o consultório muda a conta da mídia

Quase ninguém procura pela profissão: procura pelo que está sentindo. Dessa distância entre a palavra do paciente e a palavra do consultório saem os cinco pontos, inclusive os dois que tratam do que a norma não deixa usar como prova.

Quando o público chega por conta própria, sem encaminhamento

Quase ninguém procura pela profissão: procura pelo que está sentindo

A pessoa digita o que a incomoda — não dormir, crise de ansiedade, luto, término, dificuldade no trabalho — e não o nome da profissão. Quem digita "psicólogo" costuma já ter decidido procurar um, o que faz desse termo o mais caro, o mais disputado e o menor do conjunto. E cada sintoma é um público diferente, com urgência e disposição diferentes.

A campanha se organiza pelo vocabulário de quem está com o problema, com uma conversa por tipo de questão, e não uma campanha só sobre terapia. Isso muda também o destino: uma página que fala sobre aquela questão específica responde à dúvida que trouxe a pessoa, enquanto a página institucional responde a uma pergunta que ela ainda não fez.

Quando quem anuncia é psicólogo inscrito ou pessoa jurídica de serviço psicológico

As duas provas mais usadas em anúncio de serviço estão fora

A Resolução CFP 003/2007, nos arts. 53 a 58, e o art. 20 do Código de Ética delimitam a divulgação: a peça precisa trazer nome completo, a palavra psicólogo, a sigla do CRP e o número de inscrição (art. 53); é vedado usar diagnóstico, análise de caso ou orientação que identifique o sujeito (art. 54); a comunicação em mídia se justifica pelo objetivo informativo ou educativo (art. 55); e há obrigação de esclarecer a natureza básica do serviço (art. 56). Preço como argumento de propaganda e depoimento de paciente não cabem nesse desenho.

O criativo é construído sobre o que a norma pede em vez de contornar o que ela proíbe — e isso é uma vantagem competitiva disfarçada de limitação, porque explicar com clareza como funciona o atendimento é trabalhoso e quase ninguém faz. Na prática: quem atende, formação e abordagem, para que tipo de questão, como é a primeira conversa, duração e frequência, e o que a pessoa deve esperar.

Quando o atendimento é recorrente em horário fixo semanal

A capacidade é uma grade de horários, não um número de atendimentos

Um paciente novo não ocupa uma vaga: ocupa aquela vaga, toda semana, por meses. Os horários no fim da tarde e no início da noite se esgotam primeiro e os do meio da manhã sobram — e o anúncio, que não sabe disso, continua trazendo gente para um horário que não existe mais. A frustração aparece dos dois lados: o consultório parece cheio e a agenda tem buracos.

A campanha passa a ter alvo por faixa de horário, e a disponibilidade real entra na conversa antes do agendamento, não depois. Também muda o que se compra: quando só sobram horários difíceis, a decisão certa costuma ser reduzir a mídia e trabalhar a lista de espera, e não comprar mais contato para uma vaga que não existe.

Quando o atendimento é ou pode ser feito à distância

On-line remove o raio, e junto remove a proteção que o raio dava

No presencial, a concorrência é o profissional do bairro ao lado e o custo de alcançar essa vizinhança é baixo. No on-line, o público é o país inteiro — e a concorrência também. São dois negócios com preços de mídia muito diferentes, e é comum que a mesma conta esteja comprando os dois ao mesmo tempo sem que ninguém tenha decidido isso.

A decisão vem antes da campanha: presencial, on-line ou os dois com contas separadas, cada uma com seu limite de custo. Misturar produz uma média enganosa, em que o alcance barato do bairro disfarça o custo alto do país. E, se os dois forem manter-se, a página precisa dizer com clareza qual formato está sendo oferecido, porque a expectativa errada aparece depois, na primeira sessão.

Quando o acompanhamento se estende por meses

A receita não está na primeira sessão, e a mídia costuma ser julgada por ela

O que um paciente vale não é o valor de uma sessão: é o de quantas sessões ele fará. Uma campanha avaliada pela primeira sessão lê uma fração pequena disso e parece cara. Pior: otimizar pelo volume de primeiras sessões tende a atrair quem experimenta e não segue, o que enche a agenda de vagas que abrem de novo em três semanas.

A leitura passa a incluir a permanência: quantos seguem depois do primeiro mês, e por origem. É um dado que só o próprio consultório tem e que raramente é anotado. Com ele, a conversa sobre verba muda de natureza — deixa de ser sobre o custo do contato e passa a ser sobre quanto tempo uma vaga preenchida se mantém preenchida.

O que precisa voltar da agenda

A conta de mídia num consultório depende de dois dados que ficam na agenda e nunca chegam ao painel: qual questão trouxe a pessoa e quanto tempo ela permaneceu.

O caminho mínimo separa quatro estados: pediu contato, foi respondido, fez a primeira sessão, seguiu depois do primeiro mês. A queda entre pedir e ser respondido é de tempo; entre responder e a primeira sessão, de horário e formato; entre a primeira e a permanência, de encaixe — e essa última é a única que a mídia não resolve.

O segundo cuidado é o formato. Presencial e on-line custam diferente para alcançar e valem diferente para a agenda, e a média entre os dois não descreve nenhum. Onde os dois convivem, os números precisam viver separados desde o primeiro dia.

  • Tipo de questão registrado no primeiro contato, em campo próprio e sem detalhe clínico.
  • Formato pedido — presencial ou on-line — separado desde a origem.
  • Faixa de horário procurada, para saber onde a agenda ainda cabe.
  • Primeira sessão realizada por origem, e não apenas contato recebido.
  • Permanência depois do primeiro mês, por origem: é o número que decide se a aquisição valeu.
  • Tempo entre o contato chegar e alguém responder, medido junto com a mídia.

Sinais de que o gargalo não está no anúncio

Nestes casos, mais verba só produz contato para uma vaga que não existe ou uma conversa que ninguém responde.
  • Só sobram horários que quase ninguém procura.
  • O contato chega e demora um dia para ser respondido.
  • Não existe registro de qual questão trouxe cada pessoa.
  • Presencial e on-line estão na mesma conta, sem separação.
  • A peça em uso não traz a identificação profissional que a norma exige.
  • O consultório aceita qualquer demanda, e por isso não consegue dizer com quem o anúncio deveria falar.
  • Ninguém sabe dizer quantos pacientes seguiram depois do primeiro mês.

O último é o mais comum e o mais caro: sem ele, toda decisão de verba é tomada sobre a metade menos importante do resultado.

De onde partimos

O trabalho começa pela grade de horários e pela conformidade da peça, porque são as duas coisas que decidem se a campanha tem para onde mandar gente e se ela pode ir ao ar.

A primeira leitura junta o que costuma viver separado: o que foi anunciado, quem procurou, que questão trouxe, qual formato queria, que horário pediu e quantos seguiram depois do primeiro mês. Em consultório, é frequente que o gargalo esteja na grade e não na mídia — e comprar mais contato nesse caso piora a experiência de quem chega.

A peça é montada dentro do que a norma pede, com a identificação no lugar, e o criativo trabalha o que sobra depois que preço e depoimento saem: clareza sobre quem atende e como é o atendimento. É menos vistoso e é o que quase ninguém está fazendo — o que o torna, na prática, a diferenciação mais barata deste nicho.

  • Estrutura por tipo de questão, no vocabulário de quem procura, e não por nome de abordagem.
  • Presencial e on-line com contas e limites de custo próprios.
  • Alvo por faixa de horário, acompanhando o que a grade ainda comporta.
  • Peça com nome, palavra psicólogo, sigla do CRP e número de inscrição, como o art. 53 exige.
  • Permanência depois do primeiro mês como número que orienta a verba.

O que costumam perguntar antes de começar

Psicólogo pode anunciar no Google e no Instagram?

Pode. O que as normas do Conselho Federal de Psicologia regulam é o conteúdo da divulgação, não o meio. A Resolução CFP 003/2007 exige, no art. 53, que toda publicidade traga nome completo, a palavra psicólogo, a sigla do CRP e o número de inscrição; o art. 54 veda usar diagnóstico, análise de caso ou orientação que identifique a pessoa; o art. 56 obriga a esclarecer a natureza básica do serviço. Anúncio pago cabe nesse desenho — o que não cabe é o criativo padrão de captação, feito de preço e depoimento.

Posso divulgar o valor da sessão no anúncio?

Preço como argumento de propaganda não é admitido na divulgação do serviço psicológico, e isso separa este nicho de outros da área da saúde — a odontologia e a medicina veterinária tiveram a divulgação de preço liberada por seus conselhos, respectivamente em 2025. Na prática, informar o valor quando a pessoa pergunta é uma coisa; transformá-lo em chamada de anúncio é outra. O caminho que sobra é ser claro sobre duração, frequência e formato, que é o que costuma estar por trás da pergunta sobre preço.

Sem depoimento de paciente, como construir confiança?

Pelo que a norma incentiva: informação. Quem atende, formação, abordagem, tipos de questão com que trabalha, como é a primeira conversa, o que acontece se não houver encaixe. É mais trabalhoso do que publicar um print de agradecimento e tem uma vantagem que o print não tem: descreve o serviço para quem nunca fez terapia, que é boa parte de quem procura pela primeira vez e a parte que mais desiste no caminho.

Vale mais anunciar atendimento on-line ou presencial?

São dois negócios. O presencial disputa um raio pequeno, com concorrência local e custo de alcance baixo; o on-line disputa o país, com muito mais oferta e custo maior por paciente que permanece. Nenhum dos dois é melhor em abstrato — o erro é comprá-los na mesma conta, porque a média esconde os dois. A decisão fica mais fácil depois de separar e olhar a permanência de cada um.

Custo por lead ou custo por oportunidade

A agenda está quase cheia. Ainda faz sentido anunciar?

Faz, com outro objetivo. Com poucos horários livres, comprar volume produz frustração de quem procurou e não conseguiu. O que costuma valer é anunciar para os horários que sobram, manter uma presença menor para repor a rotatividade natural, e usar o período para organizar o que vai medir a próxima expansão — inclusive a permanência, que é o número que dirá se vale abrir mais agenda ou não.

Para continuar

Antes de comprar mais contato, vale olhar quais horários realmente sobram.

A conversa começa pelo caminho inteiro: anúncio, contato, formato, horário, primeira sessão e permanência. Quando o gargalo aparece fora da mídia, é isso que dizemos — antes de falar em verba.

Nenhuma proposta é enviada antes da conversa.