Sempre que o material divulgar atuação profissional do escritório
O estudo de caso é a peça de conversão que não existe aqui
Em qualquer outro mercado, o material que converte leitura em conversa é o relato de um problema real resolvido. O art. 4º do provimento veda referência ou menção a decisões judiciais e resultados na divulgação da atuação profissional, e isso alcança a peça inteira — não só o número da causa. A versão "anonimizada" do caso continua sendo divulgação de resultado.
O lugar do caso precisa ser ocupado por outra coisa, e o substituto que se sustenta é o **método**: como o escritório analisa uma situação, que perguntas faz, que caminhos existem e quais são os custos de cada um. É menos vendedor por natureza, e é a peça que a norma admite. Um acervo jurídico planejado sem essa substituição chega ao fundo do funil sem nada para publicar.
Quando a pauta compara o escritório, ou a advocacia, com alternativas
Metade das pautas de decisão é expressão de comparação
O art. 3º exige caráter meramente informativo, discrição e sobriedade, e veda orações ou expressões persuasivas, de autoengrandecimento ou de comparação. O repertório clássico de fundo de funil vive exatamente aí: "como escolher um escritório", "o que nos diferencia", "por que contratar advogado especializado". São formatos de comparação por construção.
A pauta de fundo de funil precisa ser reescrita como informação sobre o problema, e não sobre o prestador. Funciona perguntar o que o leitor precisa decidir e responder isso — quais são as vias possíveis, o que cada uma exige de documento, prazo e custo — sem que o texto conclua qual prestador é melhor. A diferença é sutil na leitura e é a diferença entre a peça ser publicável e não ser.
Quando o material foi baixado a partir de um tema ligado a um tipo de caso
A régua de nutrição caminha na direção da captação
O art. 2º define publicidade passiva como a divulgação capaz de atingir somente público certo que tenha buscado informações, e o art. 3º veda a captação de clientela. Uma sequência automatizada que reconhece que a pessoa leu sobre um tema específico e passa a lhe oferecer atendimento aproxima as duas pontas: deixa de ser resposta a quem buscou e vira oferta dirigida a alguém com um problema presumido.
A automação passa a ser desenhada com uma fronteira declarada. Na prática: a régua entrega mais informação sobre o tema e mantém o caminho de contato disponível, sem que a mensagem proponha atuar no caso da pessoa. Quem decide onde essa linha fica é o escritório, não o fornecedor — e a decisão precisa estar escrita antes de a primeira régua existir, porque depois ela roda sozinha.
Quando a peça fala do escritório em vez de falar do assunto
O conteúdo institucional sobre o escritório é vedado
O art. 6º veda qualquer informação relativa às dimensões, qualidades ou estrutura física do escritório, e também a menção à promessa de resultados. Isso alcança o material que costuma abrir um acervo institucional: tamanho da equipe, número de unidades, fotos da sede, tempo de mercado apresentado como qualidade. O art. 5º acrescenta a vedação a pagar, patrocinar ou custear aparição em rankings, que é o caminho pelo qual esse tipo de reconhecimento costuma ser comprado.
A autoridade precisa vir do que o escritório explica, e não do que ele é. É uma restrição que muda o eixo do acervo inteiro: em vez de "quem somos", "o que este problema exige". Vale registrar que isso costuma produzir material melhor, porque texto sobre o próprio escritório interessa a pouca gente de qualquer forma.
Quando a ação envolve outra empresa, outro profissional ou outra atividade
Co-marketing e divulgação conjunta ficam fora
O art. 8º não permite vincular os serviços advocatícios a outras atividades nem a divulgação conjunta. Duas táticas correntes de inbound caem aí: o material produzido em parceria com uma empresa de outro ramo, e o webinar ou e-book assinado em conjunto para somar as duas bases. São exatamente os formatos que um plano genérico propõe quando a base própria ainda é pequena.
A base cresce pelo caminho mais lento, e isso precisa estar no plano desde o começo em vez de aparecer como frustração no terceiro mês. Sem atalho de audiência emprestada, o que resta é distribuição própria e busca — o que reforça a decisão de escolher poucos assuntos e mantê-los, em vez de cobrir muitos superficialmente.