Quando a peça do perfil chama uma vacina de "obrigatória" ou usa a obrigatoriedade como argumento de urgência
Quem define o que é vacinação obrigatória é o programa federal, não o post
O art. 3º, caput, da Lei nº 6.259/1975 diz que "cabe ao Ministério da Saúde a elaboração do Programa Nacional de Imunizações, que definirá as vacinações, inclusive as de caráter obrigatório". A lista do que é obrigatório nasce desse programa, e não do que a clínica decide destacar.
O perfil pode citar o que o programa define como obrigatório, mas não estende a palavra "obrigatória" a uma vacina que não está nessa lista, nem a usa como gatilho de medo para vender. Antes de publicar, cada peça que emprega o termo é conferida contra a lista oficial — e a peça que não passa muda de palavra, não de norma.
Quando o perfil sugere que a vacina obrigatória só existe, ou só é bem feita, na rede privada
A vacinação obrigatória é praticada de modo sistemático e gratuito — o perfil não pode tratá-la como oferta exclusiva da clínica
O parágrafo único do art. 3º diz que "as vacinações obrigatórias serão praticadas de modo sistemático e gratuito pelos órgãos e entidades públicas, bem como pelas entidades privadas, subvencionadas pelos Governos Federal, Estaduais e Municipais, em todo o território nacional". A obrigatoriedade é um serviço público, prestado de graça, e não um produto que a clínica criou.
A peça separa o que é obrigatório e gratuito na rede pública do que a clínica oferece como serviço particular. Apresentar a vacina obrigatória como diferencial pago da clínica descreve errado o regime — a clínica privada não subvencionada não é o lugar onde a vacinação obrigatória e gratuita é praticada. O perfil fala do serviço que a clínica de fato presta, não da vacina que a lei já reserva ao poder público.
Quando o perfil promete o atestado como item do pacote pago ou condiciona a entrega a algo
O Atestado de Vacinação é a prova da obrigatoriedade, é gratuito e não pode ser retido
O art. 5º, caput, diz que "o cumprimento da obrigatoriedade das vacinações será comprovado através de Atestado de Vacinação". O § 2º do mesmo artigo manda que o atestado "seja fornecido gratuitamente, com prazo de validade determinado, não podendo ser retido, por nenhum motivo, por pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado".
O perfil pode afirmar que a clínica emite o atestado e que ele é gratuito. O que ele não pode fazer é tratá-lo como produto à venda, condicioná-lo a uma compra ou retê-lo — as três coisas que o § 2º veda. Uma peça do tipo "só emitimos o atestado para quem..." caminha contra o texto, por mais bem-intencionada que seja.
Quando o perfil anuncia emissão de Atestado de Vacinação em nome da clínica
Só emite o atestado quem é credenciado — o perfil não promete documento que a operação não pode assinar
O § 1º do art. 5º define quem emite o atestado: "os serviços públicos de saúde ou [...] médicos em exercício de atividades privadas, devidamente credenciados para tal fim pela autoridade de saúde competente".
Antes de colocar a palavra "atestado" numa peça, a clínica confere o credenciamento de quem assina o documento. O perfil não promete um atestado que a operação não está credenciada a emitir — a promessa, nesse ponto, é documento, não conteúdo.
Quando a peça cita exigência local de vacinação como se fosse regra federal
O que vale no estado pode ser medida complementar, não a regra nacional
O art. 6º, caput, diz que "os governos estaduais, com audiência prévia do Ministério da Saúde, poderão propor medidas legislativas complementares visando ao cumprimento das vacinações, obrigatórias por parte da população, no âmbito dos seus territórios". O parágrafo único acrescenta que essas medidas são observadas pelas entidades federais, estaduais e municipais no âmbito do respectivo estado.
A peça que menciona exigência local — matrícula, evento, acesso a um serviço — nomeia a esfera a que a exigência pertence, em vez de atribuí-la à União. A lista nacional de vacinações obrigatórias é a do programa federal; a medida estadual é complementar, e a peça não as trata como a mesma coisa.