Quando o perfil ganha nome, foto ou bio construídos em torno de uma das marcas que a loja revende — o nome da marca seguido da cidade, o logotipo dela como foto de perfil, a bio que apresenta a loja como a própria marca na região
Nome de usuário, foto e bio são sinais da loja; a marca revendida aparece como marca da peça, não como nome do perfil
O art. 129 assegura ao titular "seu uso exclusivo em todo o território nacional", e o art. 132, I, descreve o espaço do comerciante: usar "sinais distintivos que lhes são próprios, juntamente com a marca do produto, na sua promoção e comercialização". Os sinais citados são os "que lhes são próprios", os da loja; a marca entra como "a marca do produto".
A identidade do perfil é montada com o que é da loja — nome, logotipo, paleta, tom de voz — e as marcas revendidas ganham lugar próprio: destaque por marca, legenda e marcação na foto da peça. Nome de usuário, foto ou bio formados pela marca de outra empresa ficam fora do que o inciso descreve, e mudar ou manter um perfil assim é conversa com o jurídico e com o contrato de revenda antes de ser decisão de conteúdo.
Quando o mesmo post reúne peças de várias origens — marca revendida, marca própria da loja, peça sem marca de fornecedor — e a legenda ou as hashtags repetem só o nome da marca mais conhecida do look
A marca nomeada na legenda, na hashtag e na marcação é a da peça que aparece na foto
O inciso I do art. 132 fala do uso dos sinais da loja "juntamente com a marca do produto". Pela leitura do texto, a marca que acompanha a promoção é a do produto promovido; o inciso não descreve o nome de uma marca usado para apresentar peça de outra origem.
Cada peça do look recebe o próprio crédito: nome da marca, hashtag e marcação só na peça daquela marca, e a peça de marca própria ou sem marca é apresentada pelo nome da loja. Em carrossel e em reels com várias peças, a legenda discrimina item por item em vez de resumir o look com uma marca só. Se uma forma específica de citar a marca cabe no contrato de revenda, a resposta vem do jurídico.
Quando a peça com marca de outra empresa chega de fornecedor novo, de lote avulso ou de compra sem nota da própria marca ou de distribuidor dela, e segue direto para o provador ao vivo, o story de "acabou de chegar" ou o catálogo enviado a clientes
Story, live de vendas e catálogo de mensagens oferecem e expõem à venda, e a origem da peça é anotada antes de ela chegar lá
O caput do art. 190 lista os atos: "Comete crime contra registro de marca quem importa, exporta, vende, oferece ou expõe à venda, oculta ou tem em estoque:". O inciso I diz sobre qual produto: o "assinalado com marca ilicitamente reproduzida ou imitada, de outrem, no todo ou em parte". Oferecer e expor à venda acontecem antes de qualquer venda, e o texto não abre exceção para formato que some em um dia ou para oferta por encomenda.
A pauta passa a depender de um registro de origem: cada peça de marca de terceiro que vai à foto leva junto a nota ou o documento de compra — da marca, de distribuidor dela ou de fornecedor identificado. Peça sem origem anotada espera fora do feed, do story, da live e do catálogo até quem compra resolver. Se uma peça concreta é ou não imitação é pergunta para quem compra e para o jurídico; a gestão do perfil só não a coloca no ar antes da resposta.
Quando fornecedor, vendedora ou seguidora descrevem uma peça com logotipo, monograma ou nome de outra marca como "réplica", "primeira linha", "igual à original" ou "inspirada na marca", e a legenda, o comentário respondido ou a fala da live repetem o termo ou procuram outro mais suave
"Réplica", "primeira linha" e "igual à original" interrompem a pauta, porque trocar a palavra da legenda não troca o que está estampado na peça
O inciso I do art. 190 olha para o "produto assinalado com marca" reproduzida ou imitada. O objeto do texto é a peça e o sinal que ela carrega, e não o adjetivo usado para descrevê-la.
Os termos viram gatilho do fluxo editorial: quando aparecem na descrição do fornecedor, na conversa de compra ou na pergunta de uma seguidora, a peça volta para a conferência de origem antes de qualquer post. Trocar o termo por "similar" ou "estilo" não muda a conferência, porque o inciso olha para a peça, e não para o vocabulário. E a resposta a quem pergunta "é original?" sai do registro de origem, nunca de improviso na caixa de mensagens.