Sempre que o perfil publicar conteúdo com iniciativa, participação ou anuência do profissional
A norma define "redes sociais" por lei, e isso muda o que conta como publicidade
O art. 2º IX define "redes e mídias sociais" como "plataformas digitais que permitem a interação e o compartilhamento de informações, ideias, conteúdos e experiências entre indivíduos ou grupos de pessoas" — e o art. 2º VIII já havia definido "publicidade" de forma ampla, incluindo eventos "recreativos, informativos, institucionais". A combinação fecha a porta de tratar conteúdo de entretenimento do perfil como algo fora do alcance da resolução.
Todo conteúdo do perfil profissional entra na régua da norma, inclusive o que parece "só diversão" — um vídeo de humor com o pet do consultório é publicidade pela definição legal, mesmo sem menção a serviço ou preço.
Quando o conteúdo planejado depende de choque, surpresa ou exagero para gerar alcance
O formato de "reação exagerada" é o que o art. 6º I mais diretamente veda
O art. 6º I veda a "prática de qualquer ação que se caracterize como... sensacionalista", e o art. 2º X define sensacionalismo como "comunicação tendenciosa que busca atrair a atenção do público mediante exagero ou distorção dos fatos". Vídeo de tutor "descobrindo" um diagnóstico grave em tom dramático, ou "revelação" editada para gerar susto e retenção, é exatamente o formato que a definição normativa descreve.
Conteúdo educativo sobre sinal de alerta em pet pode e deve existir — é parte da competência informativa da profissão —, mas com tom técnico e sóbrio, não com edição de suspense e revelação dramática que prioriza retenção de vídeo sobre precisão da informação.
Quando o formato usa comparação visual para demonstrar efeito de procedimento ou tratamento
"Antes e depois" como prova visual esbarra na vedação de garantir resultado
O art. 6º III veda participar de propaganda de "produto ou serviço que garantam resultados", e o art. 6º V especificamente veda divulgar valor ou tabela sem considerar que espécie, raça, idade, peso e histórico clínico do animal exigem avaliação prévia. Uma sequência de imagens de "antes" e "depois" de banho e tosa, tratamento dermatológico ou reabilitação, publicada como prova de resultado padrão, comunica uma garantia que a norma não permite fazer.
Conteúdo sobre evolução de caso pode existir descrevendo o processo — o que foi feito, por que, o acompanhamento —, mas sem apresentar a comparação visual como garantia de que outro animal terá o mesmo resultado, e com o cuidado sobre consentimento de imagem do art. 8º.
Quando o pilar de conteúdo inclui recomendação de cuidado, remédio caseiro ou técnica popular
A dica caseira que viraliza é o formato mais exposto ao art. 6º IV
O art. 6º IV veda "propaganda ou publicidade de tratamento, método ou técnica desprovidos de comprovação científica". Conteúdo de "dica caseira para X" é um dos formatos de maior alcance orgânico no nicho pet — e também o mais vulnerável a essa vedação, porque parte do apelo do formato é justamente a simplicidade não-técnica que a comprovação científica exige verificar antes de recomendar.
A pauta de conteúdo popular precisa de checagem técnica antes de virar peça — não é vedar o formato inteiro, é vedar a recomendação sem lastro. Onde a base científica existir, ela entra citada; onde não existir, o conteúdo se limita a descrever o sinal de alerta e recomendar avaliação profissional, sem prescrever solução.
Ao configurar ou revisar a bio e o material fixo do perfil
O responsável técnico identificado não é só na fachada — é no perfil
O art. 4º §3º exige, na publicidade de estabelecimento veterinário, o nome e número de inscrição do responsável técnico. A norma foi escrita pensando em placa e material impresso, mas a mesma lógica de identificação vale para a peça digital permanente que mais se aproxima disso hoje: a bio do perfil, que funciona como a "fachada" do estabelecimento nas redes.
A bio do perfil profissional passa a ter o mesmo tratamento que a placa da recepção: nome e CRMV do responsável técnico visíveis, e não apenas o nome fantasia da clínica.