Quando a peça de antes e depois já tem o termo de autorização assinado
Autorização do paciente é uma condição, não a condição
O art. 14 II "i" lista três exigências para imagem de banco próprio: obter autorização (1), respeitar pudor e privacidade (2), e garantir o anonimato mesmo com autorização (3). Uma oferta que resume tudo a "com autorização do paciente" cumpre a primeira e ignora as outras duas — e a terceira é explícita: anonimato mesmo COM autorização.
O termo de autorização deixa de ser o único documento do processo. A peça de antes e depois passa por uma checagem de anonimato separada, feita depois da autorização, não substituída por ela.
Sempre que uma foto de resultado é preparada para publicação
Qualquer edição de imagem é vedada, sem exceção
O item "f" veda qualquer edição, manipulação ou melhoramento das imagens. Não há exceção para ajuste de luz, correção de cor ou suavização de pele — práticas padrão em qualquer fluxo de fotografia comercial de estética.
O fluxo de produção de imagem muda: a foto publicada é a foto bruta, com o cuidado técnico ficando na iluminação e no enquadramento no momento da captura, não na edição posterior. É mais exigente do fotógrafo e mais barato do editor — e é o oposto do que o mercado pratica hoje.
Quando o procedimento tem resultado visível no rosto ou em área identificável
A imagem não pode identificar o paciente
O item "e" veda o uso de imagens de procedimento que identifique o paciente. Em procedimentos faciais, a exigência de anonimato entra em tensão direta com a demonstração de resultado — e é uma tensão que a norma resolve a favor do paciente, não da peça de marketing.
Procedimentos com resultado facial precisam de enquadramento, ângulo ou anonimização que impeça identificação — o que muda o valor comercial da peça e é uma conversa a ter antes de fotografar, não depois.
Quando o plano de conteúdo inclui peça de demonstração cirúrgica
Três alíneas do mesmo inciso caem sobre a mesma peça de antes e depois
A alínea "a" cobra explicação escrita sobre indicação e possíveis complicações; a "b" cobra um acervo com casos de saída boa e ruim lado a lado, não só o melhor; a "c" cobra mostrar como o mesmo procedimento se comporta em corpos e idades diferentes. As três recaem sobre a mesma peça.
Uma clínica que só guarda os dez casos perfeitos do ano não tem material para cumprir a alínea "b" — precisa arquivar também os resultados medianos e as intercorrências, o que muda a rotina de captação de imagem no pós-operatório, não só a edição.
Quando a tentação é usar depoimento espontâneo para reforçar prova social
Depoimento de paciente precisa ser sóbrio, sem promessa embutida
O item "g" exige que autorretratos repostados e depoimentos sejam sóbrios, sem adjetivos que denotem superioridade ou induzam a promessa de resultado. "Melhor cirurgião da cidade" ou "resultado surpreendente" nas palavras do próprio paciente ainda cai na vedação, mesmo sendo fala de terceiro.
O depoimento é curado antes de publicar, e não simplesmente reproduzido. É um trabalho editorial a mais, e é o que separa um acervo publicável de um acervo que precisa ser retirado do ar.