Quando a clínica anuncia o sistema ou protocolo cirúrgico/endovascular que utiliza
Aparelho com registro na Anvisa não é método com reconhecimento do CFM
O art. 11 VII veda divulgar método ou técnica não reconhecido pelo CFM. Um equipamento pode estar regularmente aprovado pela Anvisa e, mesmo assim, o método clínico construído em torno dele não ter passado pelo reconhecimento do Conselho — são duas checagens distintas, e tratar uma pela outra é a vedação.
Toda peça sobre o sistema utilizado cita o registro do equipamento e a indicação clínica dele — nunca a palavra "reconhecido" sem que alguém tenha efetivamente checado isso no Conselho antes de escrever.
Quando o material capta por "tratamento vascular" sem dizer se o caso pede centro cirúrgico
O que pede centro cirúrgico não é o mesmo recorte do consultório vizinho
A Resolução CFM 2.380/2024 lista angiologia e cirurgia vascular como títulos de especialista separados, com residência (CNRM) própria cada um, mesmo respondendo à mesma sociedade profissional (SBACV) — o que confunde o paciente, não o CFM. O recorte desta página é o que exige centro cirúrgico: revascularização, endarterectomia, correção de aneurisma aberta ou por cateter, amputação quando indicada.
A pauta declara se o caso descrito pede centro cirúrgico ou se resolve em consultório, e não captura por "tratamento vascular" genérico sem esse recorte.
Quando o material descreve sintoma que pode ser emergência vascular, ao lado de sintoma crônico como claudicação
Perna fria e pálida de repente não é a mesma pauta de dor ao caminhar
Início súbito de perna fria, pálida e sem pulso, ou dor abdominal pulsátil, é compatível com isquemia arterial aguda ou ruptura de aneurisma — emergência que pede pronto-socorro, não formulário de contato. Já a claudicação intermitente (dor na panturrilha ao caminhar, que some com o repouso) é sinal de doença arterial periférica crônica, investigada com índice tornozelo-braço e conduzida em consulta eletiva.
O calendário editorial separa, com marcação própria, o conteúdo de sintoma agudo — que orienta emergência — do conteúdo sobre claudicação e doença crônica, que segue o ritmo normal de nutrição de lead.
Quando a clínica publica imagem de antes e depois de procedimento cirúrgico ou endovascular
Antes e depois de cirurgia vascular mostra também complicação e evolução insatisfatória
A alínea "b" do art. 14 II exige que demonstrações de antes e depois sejam apresentadas em conjunto de imagens contendo evoluções satisfatórias, insatisfatórias e complicações decorrentes da intervenção — cirurgia de maior porte tem complicação possível (infecção de ferida operatória, reintervenção) que a peça não pode omitir.
Todo conjunto de antes e depois de cirurgia inclui, ao lado do melhor resultado, casos de evolução diferente da ideal e a menção a complicação possível do porte do procedimento.
Quando o material promete o sucesso da cirurgia ou a preservação do membro operado
Salvamento do membro e sucesso da revascularização não são resultado garantido
O art. 11 XII veda garantir, prometer ou insinuar bons resultados de tratamento. O desfecho de uma revascularização ou de um procedimento por isquemia varia com o grau da doença, comorbidade (diabetes, tabagismo) e tempo até a intervenção — apresentar salvamento do membro como desfecho certo é o tipo de promessa que a norma não ampara.
A peça fala em indicação e em conduta cirúrgica, não em "salvamos sempre" ou resultado idêntico ao de outro paciente já operado.