Quando o material cita incidência, mortalidade ou fator de risco do câncer de mama
Estatística verdadeira também não pode ser usada para causar medo
O art. 11 XVI veda portar-se de forma sensacionalista, e o §2º "e" define sensacionalismo como veicular informação capaz de causar intranquilidade, insegurança, pânico ou medo, coletivo ou individual, mesmo que para fatos conhecidos — a norma não abre exceção para dado verdadeiro.
Toda peça que cita estatística de câncer de mama mantém o contexto clínico completo (faixa etária, fator de risco, o que o dado muda na prática), sem isolar o número para produzir alarme.
Quando a pauta é publicada dentro da campanha de outubro
Outubro concentra o maior volume de conteúdo, e também o maior risco
Campanha datada empurra para estatística solta e tom de urgência de calendário ("não deixe outubro passar sem fazer o exame") — formato que reproduz exatamente a informação capaz de causar intranquilidade que o §2º "e" descreve, só que concentrada numa janela do ano.
A pauta de outubro passa pela mesma revisão de sensacionalismo que qualquer outro mês, sem ganhar um padrão de urgência próprio pela data do calendário.
Quando a pauta descreve nódulo, espessamento ou alteração encontrada em mamografia, ultrassom ou ao toque
Achado suspeito em imagem pede BI-RADS e, se indicado, biópsia — não a leitura de um texto
A classificação de risco de um achado de imagem segue o sistema BI-RADS, e a confirmação diagnóstica, quando indicada, depende de biópsia — nenhum dos dois é substituível pela descrição do sintoma num artigo.
A pauta orienta buscar avaliação com exame de imagem e classificação própria, sem estimar gravidade a partir da descrição do achado.
Quando o material trata o autoexame como o principal meio de detecção precoce
Autoexame é complemento, não substituto do rastreio por imagem em grupo de risco
O rastreio por mamografia, na periodicidade indicada para o grupo de risco da paciente, é o exame com efeito comprovado sobre detecção precoce; o autoexame ajuda a reconhecer mudança no próprio corpo, mas não substitui essa periodicidade — apresentar um como equivalente do outro é impreciso, não só arriscado.
A peça que trata de autoexame menciona, ao lado, a indicação de mamografia por faixa etária e fator de risco, sem sugerir que um substitui o outro.
Quando o material promete cirurgia conservadora ou desfecho de cura
Preservação da mama e cura não são resultado garantido
O art. 11 XII veda garantir, prometer ou insinuar bons resultados de tratamento. Se a cirurgia poderá preservar a mama e qual o desfecho esperado depende do estadiamento e do tipo do tumor de cada paciente — apresentar preservação ou cura como certeza é o tipo de promessa que a norma não ampara.
A peça fala em conduta e estadiamento, não em "sempre preservamos a mama" ou desfecho igual ao de outra paciente já tratada.