Quando o material aborda reposição hormonal, testosterona ou desempenho sexual
Propaganda que estimula terapia hormonal é vedada, independente do tema ser legítimo
O art. 2º da Resolução CFM 2.333/2023 proíbe cursos, eventos e propaganda voltados a estimular e promover terapias androgênicas para fins de embelezamento, hipertrofia ou melhora de desempenho esportivo. A vedação mira o verbo — estimular, promover —, não o substantivo — testosterona, hipogonadismo.
Uma pauta sobre "sinais de baixa testosterona" pode informar; a mesma pauta com CTA de "recupere sua energia hoje" estimula. A checagem passa a ser sobre o verbo do título e da chamada, não sobre o tema escolhido.
Quando a pauta trata de hipogonadismo com indicação clínica documentada
Reposição por deficiência diagnosticada não é o que a norma proíbe
A mesma Resolução 2.333/2023 preserva a prescrição de terapia androgênica para tratar hipogonadismo, puberdade tardia e outras deficiências diagnosticadas — o que ela veda é a promoção para fins estéticos ou de desempenho, não o tratamento em si.
O texto pode explicar o que é hipogonadismo e como se diagnostica, sem que isso vire propaganda vedada — desde que não prometa o resultado da reposição como se fosse suplemento de prateleira.
Quando o material usa "andrologista" ou foco em saúde masculina como divulgação de especialidade
Andrologia como foco de interesse não substitui o título de urologista
O art. 11 I veda ao médico divulgar, quando não especialista, que trata de sistema orgânico, órgão ou doença específica, por induzir à confusão com divulgação de especialidade. Andrologia é área de interesse dentro da urologia, não título de especialidade autônomo registrado à parte pela Portaria CME vigente.
A página declara o título de urologista efetivamente registrado, e trata "foco em saúde masculina" como experiência, nunca como uma segunda especialidade formal.
Quando a pauta trata de disfunção erétil, infertilidade ou incontinência
Tema que envergonha muda o canal de aquisição, não a norma
Não é uma vedação — é um padrão de comportamento de busca. Quem pesquisa esses sintomas o faz em privado, e raramente clica num anúncio visível para quem está por perto, mesmo quando o anúncio é juridicamente correto.
A pauta de aquisição pesa mais para busca orgânica (lida sozinho, sem anúncio visível) do que para mídia paga segmentada, mesmo quando as duas custam o mesmo por clique.
Quando a pauta lista sinais de alerta (sangue na urina, dor, alteração urinária)
Conteúdo sobre sintoma orienta buscar avaliação, não substitui a consulta
O art. 11 XVI §2º "e" veda veicular informação que possa causar intranquilidade, insegurança, pânico ou medo, mesmo sobre fatos conhecidos. Uma lista de sintomas escrita como alarme ("isso pode ser câncer") em vez de orientação ("isso merece avaliação") esbarra nessa vedação.
O texto nomeia o sintoma e orienta buscar avaliação, sem simular triagem diagnóstica nem usar o medo como gatilho de conversão — a chamada final é sempre "vale avaliar", nunca "isso é grave".