Quando o catálogo é anunciado por feed — Shopping, catálogo do Meta, marketplace — e o título de cada item é texto livre escrito pelo time comercial ou de conteúdo
A loja já escreve duas descrições da mesma peça, e só uma delas foi conferida contra uma regra
O art. 3º do Decreto nº 11.158/2022 diz que a NCM "constitui a Nomenclatura Brasileira de Mercadorias - NBM (...) para todos os efeitos". O código que sai na nota de cada peça foi escolhido segundo as Notas do Capítulo 71; o título do anúncio, não. São duas descrições do mesmo objeto, produzidas na mesma empresa, e ninguém as coloca lado a lado.
Antes de mexer em lance, público ou criativo, vale rodar a conferência mais barata que existe nesta operação: item a item, o NCM cadastrado e o título anunciado dizem a mesma coisa? Onde divergirem, o problema da campanha não é de mídia — é de cadastro, e nenhum ajuste de lance corrige.
Quando o título ou a descrição do anúncio usa "ouro", "dourado" ou "liga de ouro" sem trazer o teor — 750, 585, 925 — no mesmo campo
O piso em que a Nomenclatura chama uma liga de "ouro" não é o piso que o comprador tem na cabeça
A Nota 5 do Capítulo 71 classifica como "ligas de ouro" as que contenham, em peso, pelo menos 2 % de ouro, e a Nota 6 manda a referência a metais preciosos compreender essas ligas. O comprador que digita "ouro 18k" está pensando em setenta e cinco por cento. As duas leituras cabem na mesma palavra, e o anúncio usa a palavra sozinha.
O teor é o atributo que torna o clique comparável, e por isso ele pertence ao começo do título e a um campo estruturado do feed — não ao fim da descrição, onde nem o comprador nem o sistema de correspondência chegam. Sem ele, a peça cara disputa a consulta pelo preço, que é o único atributo que sobrou visível.
Quando a loja também vende banhado ou semijoia, ou quando disputa as mesmas consultas de quem vende
"Folheado" no anúncio e "folheado" na Nomenclatura não descrevem a mesma técnica
A Nota 7 reserva "metais folheados ou chapeados de metais preciosos (plaquê)" aos artigos "com um suporte de metal que apresentem uma ou mais faces recobertas de metais preciosos, por soldadura, laminagem a quente ou por processo mecânico semelhante". Banho galvânico fica de fora, e a posição 71.17 (Bijuterias) traz a subposição "De metais comuns, mesmo prateados, dourados ou platinados". A palavra "semijoia" não aparece uma única vez no capítulo.
A fronteira serve para duas decisões opostas na mesma conta. Comprar a consulta "folheado a ouro 18k" para vender peça de 750 é pagar por um clique cuja intenção de preço já está decidida; e anunciar peça banhada com o vocabulário da peça maciça é escorregar na designação num campo que a própria loja preenche. Separar as duas frentes por essa linha custa menos do que corrigir depois, no atendimento.
Quando a peça é de prata, aço ou metal comum com aplique, filete ou detalhe de metal precioso, e o anúncio abre destacando esse detalhe
O detalhe de ouro não leva a peça inteira para a categoria do detalhe
A Nota 2, alínea A, do Capítulo 71 exclui das posições 71.13, 71.14 e 71.15 os artigos em que o metal precioso ou o plaquê "constituam simples acessórios ou guarnições de mínima importância (por exemplo, iniciais, monogramas, virolas, cercaduras)". A Nota 11 usa o mesmo critério para manter esses artigos em bijuteria.
Se a classificação despreza o detalhe para dizer o que a peça é, o título do anúncio que abre pelo detalhe está prometendo uma categoria que a peça não tem. O atributo que descreve a peça inteira abre o título; o detalhe fica onde o comprador o encontra sem se enganar — e a devolução que isso evita não aparece em painel de mídia nenhum.
Quando a maior parte da verba está em formatos automatizados que leem o catálogo para decidir onde e para quem o item aparece
Em campanha alimentada por catálogo, quem escolhe a consulta é o feed — não a lista de palavras-chave
Nesses formatos, o texto do título e os campos de atributo do produto são o material com que a correspondência é feita. A distinção que as Notas 5, 6, 7 e 11 fazem entre peça de metal precioso, plaquê e bijuteria não existe em nenhum campo do feed a menos que alguém a escreva ali.
O trabalho de campanha vira trabalho de catálogo: título, tipo de produto, atributo de material e teor. É onde a decisão de fato acontece, e é onde ela pode ser revista sem tocar em orçamento — o oposto do reflexo de subir lance quando a peça de maior valor para de aparecer.