Quando a pauta se dirige a quem já passou por outros tratamentos sem alívio
Quem já tentou tudo é o público mais exposto à promessa de solução definitiva — e a norma veda essa promessa sem exceção
O art. 11 XII veda garantir, prometer ou insinuar bons resultados do tratamento. O §2º "f" qualifica como sensacionalismo a representação sedutora que induza a essa percepção — e uma frase escrita para quem já se frustrou antes carrega risco maior de soar sedutora, mesmo sem intenção.
A pauta descreve o que a avaliação investiga e o que o plano de tratamento costuma incluir, nunca o resultado que o paciente vai obter — trocando "você vai finalmente resolver" por "a avaliação mapeia o que ainda não foi investigado".
Quando o material coleta local, intensidade e histórico de tratamento e devolve uma indicação
Um formulário que promete apontar a causa da dor crônica funciona como consulta remota
O art. 11 XI veda oferecer consultoria a pacientes e familiares como substituição da consulta presencial. Um formulário de "descubra a causa da sua dor" processa um histórico complexo — múltiplos tratamentos, múltiplas tentativas — e devolve uma leitura individual, a mesma estrutura de uma consulta.
O material sobre avaliação de dor crônica descreve o que costuma ser investigado (histórico, exame físico, exames complementares), sem formulário que devolva uma causa provável a partir do que foi preenchido.
Quando a peça apresenta a qualificação do médico responsável pela área de atuação
A titulação em Dor não substitui a especialidade de base — o texto declara as duas
O art. 13 §1º "c" e "f" trata a divulgação de área de atuação como direito condicionado ao registro simultâneo da especialidade de base e do RQE na própria área. Como Dor aceita nove bases possíveis, a mesma sigla RQE-Dor pode acompanhar um anestesiologista, um neurologista, um ortopedista ou seis outras especialidades — e o texto precisa dizer qual é a do seu quadro, não só que existe um RQE em Dor.
Toda peça que apresenta o médico traz a especialidade de base e o RQE de Dor lado a lado — nunca o RQE de Dor sozinho, como se ele substituísse a informação de onde veio a residência.
Quando a clínica reúne profissionais de área correlata além do médico responsável
Fisioterapeuta e psicólogo da equipe aparecem como serviço agregado supervisionado, não como prova de resultado
O art. 9º III permite anunciar serviços agregados realizados por profissionais de área correlata, desde que o médico supervisione a aplicação e registre a prescrição em prontuário de cada paciente — a equipe existe declarada, com essa condição, não como estatística de sucesso do tratamento.
A página descreve o papel de cada profissional da equipe (fisioterapia, psicologia, terapia ocupacional) como parte supervisionada do plano, sem números de resultado atribuídos à equipe como conjunto.
Quando a peça usa uma nota de escala de dor (0 a 10) para ilustrar a evolução de um caso
Uma escala de dor relatada pelo paciente segue a mesma regra de qualquer imagem de resultado
O art. 14 II exige que qualquer demonstração de resultado — inclusive uma métrica relatada pelo paciente, não só uma imagem — venha acompanhada de texto educativo completo, com evoluções satisfatórias e insatisfatórias e sem identificar quem relatou.
Uma peça que cita variação de escala de dor entre duas datas carrega o mesmo texto explicativo e a mesma vedação de identificar o paciente que uma foto de antes e depois carregaria em qualquer outra especialidade.