Sites e landing pages · academias de lutas

Sites e landing pages para academia de lutas: o formulário de aula experimental recebe o dado de uma criança, e o art. 14 da LGPD exige consentimento específico e em destaque do responsável.

A aula experimental de uma academia de lutas é pedida por um formulário, quase sempre por um responsável, e quase sempre para um aluno menor de idade. O art. 14 da LGPD trata esse dado de um jeito próprio: o caput manda que o tratamento seja feito "em seu melhor interesse", o § 1º exige "consentimento específico e em destaque dado por pelo menos um dos pais ou pelo responsável legal", e o § 4º proíbe condicionar a participação em "jogos, aplicações de internet ou outras atividades" ao fornecimento de dado além do estritamente necessário. O site da academia é o lugar onde essa coleta começa.

Para donos e gestores de academias de lutas e artes marciais — jiu-jitsu, muay thai, boxe, MMA, karatê, judô, taekwondo ou modalidade semelhante — com turma infantil e um site ou landing page que recebe inscrição para aula experimental.

O dado da criança que chega pelo site tem artigo próprio na LGPD

A LGPD (Lei 13.709/2018) reserva o art. 14 para o dado de crianças e de adolescentes. O caput manda que o tratamento seja feito "em seu melhor interesse"; o § 1º exige "consentimento específico e em destaque dado por pelo menos um dos pais ou pelo responsável legal" para o dado da criança; o § 2º manda o controlador "manter pública a informação sobre os tipos de dados coletados, a forma de sua utilização e os procedimentos para o exercício dos direitos" do art. 18; e o § 4º proíbe condicionar a participação em "jogos, aplicações de internet ou outras atividades ao fornecimento de informações pessoais além das estritamente necessárias à atividade". O § 3º abre uma exceção estreita — coletar sem consentimento só para contatar os pais, "utilizados uma única vez e sem armazenamento", nunca repassados a terceiro; o § 5º pede "todos os esforços razoáveis para verificar" que quem consentiu foi o responsável; e o § 6º manda a informação ser dada "de maneira simples, clara e acessível", adequada ao entendimento da criança. No site de uma academia de lutas, quem chega primeiro é o formulário de aula experimental: é ali que o dado da criança começa a ser tratado.

Cinco pontos em que o art. 14 da LGPD entra no site de uma academia de lutas

Os dois primeiros valem para qualquer formulário que receba inscrição de menor; o terceiro e o quarto dependem do que o site publica; o quinto alcança a galeria de fotos. A condição de cada ponto diz a quem ele se aplica.

Quando o site ou a landing page da academia recebe inscrição para aula experimental, aula gratuita ou pré-matrícula de aluno menor de idade

O dado da criança que entra pelo formulário de aula experimental exige consentimento específico do responsável

O caput do art. 14 manda que o tratamento de dados de crianças e de adolescentes seja realizado "em seu melhor interesse". O § 1º detalha: o tratamento de dado de criança "deverá ser realizado com o consentimento específico e em destaque dado por pelo menos um dos pais ou pelo responsável legal". Não é o aceite genérico dos termos de uso: é um consentimento que nomeia o tratamento, aparece com destaque, e quem o dá é o responsável, não o aluno.

O formulário da aula experimental separa o contato do responsável do dado do aluno, e o consentimento aparece em campo próprio, com destaque, descrevendo para que o dado da criança será usado. Uma caixa única de "aceito os termos" no rodapé do formulário não cumpre o que o § 1º pede.

Ao desenhar o formulário que libera a aula experimental, a matrícula ou o acesso do aluno à turma

A aula experimental não pode ser condicionada ao fornecimento de dado além do necessário

O § 4º do art. 14 diz: "Os controladores não deverão condicionar a participação dos titulares de que trata o § 1º deste artigo em jogos, aplicações de internet ou outras atividades ao fornecimento de informações pessoais além das estritamente necessárias à atividade." A "aplicação de internet" é o próprio formulário do site, e a "atividade" é a aula ou a turma.

A academia define, antes de desenhar a tela, o que é estritamente necessário para reservar a aula — em regra, o contato do responsável, o primeiro nome e a idade do aluno. CPF da criança, RG, endereço completo, escola ou comprovante de residência só entram se houver razão ligada à atividade, e nunca como condição para liberar a aula experimental.

Quando o site publica política de privacidade, aviso de cookies ou página de dados

O site precisa manter pública a informação sobre os tipos de dado coletados, o uso e como exercer os direitos

O § 2º do art. 14 manda os controladores "manter pública a informação sobre os tipos de dados coletados, a forma de sua utilização e os procedimentos para o exercício dos direitos a que se refere o art. 18 desta Lei". A lista não é um texto genérico: nomeia os tipos de dado do aluno que o formulário e a galeria coletam, o que se faz com eles e por onde o responsável pede acesso, correção ou eliminação.

A política de privacidade copiada de modelo, que fala de "dados" em abstrato, não lista o que o formulário de aula experimental coleta da criança nem o caminho para o responsável exercer os direitos do art. 18. O site passa a ter uma página de dados que responde às três perguntas do § 2º, e o link dela fica no próprio formulário.

Quando o formulário pode ser preenchido pelo próprio aluno ou por quem não é o responsável legal

O § 5º pede esforço razoável para confirmar o responsável, e o § 3º limita a coleta sem consentimento

O § 5º do art. 14 diz que "o controlador deve realizar todos os esforços razoáveis para verificar que o consentimento [...] foi dado pelo responsável pela criança, consideradas as tecnologias disponíveis". O § 3º abre a única exceção: coletar sem consentimento quando for "necessário para contatar os pais ou o responsável legal, utilizados uma única vez e sem armazenamento, ou para sua proteção", e "em nenhum caso poderão ser repassados a terceiro sem o consentimento".

O fluxo de aula experimental pede um contato do responsável e trata a exceção do § 3º como o que ela é — contato pontual, sem virar base de dados. Um campo preenchido pelo próprio aluno, ou um cadastro que guarda o dado do menor sem o consentimento do § 1º, não se apoia na exceção.

Quando o site publica foto ou vídeo de aluno menor na galeria, na página de modalidade ou no blog

A informação sobre o dado é escrita para ser entendida, e a foto do aluno depende do mesmo consentimento

O § 6º do art. 14 manda que as informações sobre o tratamento de dados sejam fornecidas "de maneira simples, clara e acessível, consideradas as características físico-motoras, perceptivas, sensoriais, intelectuais e mentais do usuário, com uso de recursos audiovisuais quando adequado [...] e adequada ao entendimento da criança". A foto ou o vídeo de um aluno menor é dado pessoal desse aluno, e o uso depende do consentimento do § 1º.

A galeria de fotos da academia passa a ter uma autorização específica por aluno menor, dada pelo responsável, e o aviso sobre o dado é escrito em linguagem que a criança também entende — não só um parágrafo jurídico que o adulto lê e o aluno não.

O que se confere no formulário e no que o site publica sobre o dado da criança

O número de inscrições de aula experimental não mostra se o formulário pede dado além do necessário, nem se o consentimento do responsável existe em algum lugar. Isso se verifica percorrendo o formulário e lendo o que o site publica.

O percurso é refeito do anúncio até a confirmação da aula experimental: cada campo é lido contra a atividade, para separar o que é estritamente necessário do que entrou por hábito, e o consentimento do responsável é conferido por inteiro — se nomeia o tratamento, se aparece com destaque e se é pedido a quem responde pela criança.

Em paralelo, a página de dados do site é lida contra o § 2º: se lista os tipos de dado que o formulário e a galeria coletam, o que se faz com eles e o caminho para o responsável exercer os direitos do art. 18. A galeria de fotos de alunos menores é conferida item a item contra o consentimento do § 1º.

  • Campos do formulário de aula experimental separados entre o contato do responsável e o dado do aluno.
  • Consentimento específico e em destaque do § 1º presente no formulário, e não um aceite genérico de termos.
  • Nenhum campo pedido como condição para liberar a aula experimental sem razão ligada à atividade (§ 4º).
  • Página de dados que responde às três perguntas do § 2º, com o link dela no próprio formulário.
  • Autorização de imagem, dada pelo responsável, para cada foto ou vídeo de aluno menor na galeria.

Quando o gargalo está na operação da academia, e não no site

Uma tela nova não resolve o que a academia ainda não decidiu sobre o dado do aluno. Nestes casos, o primeiro passo é da operação, e o formulário depende dele.
  • A academia não sabe dizer quais dados do aluno usa de fato, nem onde eles ficam guardados — a decisão sobre o que o formulário pode pedir depende disso.
  • Não existe um responsável definido para responder ao pedido do § 2º, e a página de dados ficaria sem um caminho real para o exercício dos direitos.
  • A galeria de fotos reúne imagens de alunos antigos, sem autorização localizável do responsável por aluno.
  • A inscrição ainda é toda em papel ou por mensagem, e não há formulário no site para revisar.
  • A academia mistura a ficha de saúde e o dado de contato do responsável no mesmo cadastro, sem separar o que é necessário para cada finalidade.

O descompasso que este projeto evita é o do formulário que pede tudo de uma vez e a academia que não sabe o que faz com o dado depois: a tela coleta, e ninguém responde ao responsável quando ele pede para ver, corrigir ou eliminar.

Como o projeto do site de uma academia de lutas incorpora o art. 14 da LGPD

Antes do layout, o projeto fixa dois dados: o que a academia faz com o dado do aluno hoje e quem responde por ele. São eles que dizem quais campos o formulário pode ter.

Com o enquadramento definido, o desenho parte do formulário, e não da home: cada campo da inscrição de aula experimental é justificado pela atividade, o contato do responsável fica separado do dado do aluno, e o consentimento do § 1º aparece em campo próprio, com destaque, antes do envio. A página de dados do site responde às três perguntas do § 2º e recebe o link dela no próprio formulário.

A galeria de fotos é reconstruída a partir do consentimento: cada imagem de aluno menor recebe a autorização do responsável, e o texto que explica o tratamento do dado é escrito em linguagem simples, como o § 6º pede. A página não afirma que a LGPD exige um formato de tela — ela lê o que os parágrafos do art. 14 dizem e o aplica ao desenho.

  • Formulário de aula experimental com o contato do responsável separado do dado do aluno.
  • Consentimento específico e em destaque do § 1º, pedido ao responsável, antes do envio.
  • Nenhum campo condicionando a aula experimental a dado além do necessário à atividade (§ 4º).
  • Página de dados com os tipos coletados, o uso e o caminho para os direitos do art. 18 (§ 2º), ligada ao formulário.
  • Autorização de imagem por aluno menor e aviso sobre o dado escrito em linguagem simples (§ 6º).

O que o dono da academia pergunta sobre o dado da criança no site

O formulário pede o nome e a data de nascimento do meu filho para a aula experimental. Pode?

Depende de a academia precisar desse dado para a atividade. O § 4º do art. 14 proíbe condicionar a participação em "jogos, aplicações de internet ou outras atividades ao fornecimento de informações pessoais além das estritamente necessárias à atividade". O primeiro nome e a idade do aluno costumam ser necessários para reservar a aula; campos além disso precisam de razão ligada à atividade e não podem ser condição para liberar a aula.

Preciso do consentimento dos pais para tratar o dado do aluno menor de idade?

O § 1º do art. 14 diz que o tratamento de dado de criança "deverá ser realizado com o consentimento específico e em destaque dado por pelo menos um dos pais ou pelo responsável legal". O consentimento nomeia o tratamento, aparece com destaque e é pedido ao responsável — não se confunde com o aceite genérico dos termos de uso do site. O § 5º soma o dever de fazer "todos os esforços razoáveis para verificar" que quem consentiu foi o responsável.

Dá para coletar sem consentimento só para chamar o responsável?

O § 3º do art. 14 abre essa exceção: coletar sem consentimento quando for "necessário para contatar os pais ou o responsável legal, utilizados uma única vez e sem armazenamento, ou para sua proteção". A exceção é estreita — a coleta não vira base de dados e, "em nenhum caso", o dado pode ser repassado a terceiro sem o consentimento do § 1º.

O que o site da academia precisa publicar sobre o dado do aluno?

O § 2º do art. 14 manda os controladores "manter pública a informação sobre os tipos de dados coletados, a forma de sua utilização e os procedimentos para o exercício dos direitos a que se refere o art. 18 desta Lei". Uma política de privacidade genérica não responde às três perguntas; a página de dados do site precisa listar os tipos de dado do aluno, o uso e o caminho para o responsável pedir acesso, correção ou eliminação.

Posso publicar a foto do aluno menor na galeria do site?

A foto é dado pessoal do aluno, e o uso depende do consentimento do § 1º, dado pelo responsável. O § 6º pede, ainda, que a informação sobre o tratamento seja dada "de maneira simples, clara e acessível", adequada ao entendimento da criança. Por isso a autorização de imagem é pedida por aluno menor, e o aviso sobre o dado é escrito em linguagem que o aluno também entende.

O art. 14 é a regra geral da LGPD ou vale só para criança?

O art. 14 trata especificamente do dado de crianças e de adolescentes, e por isso incide sobre a turma infantil da academia, que é o público que chega pelo formulário de aula experimental. O tratamento de dado de adulto segue as bases legais gerais da LGPD; o dado da criança, não — ele tem o caput, o § 1º e os demais parágrafos deste artigo por cima.

Para continuar

Antes de trocar o formulário, vale ler o que ele pede de uma criança e onde esse dado vai parar.

A conversa começa pelo formulário de aula experimental que já está no ar e pelo que a academia faz com o dado do aluno depois — quais campos são necessários, quem consente e o que o site publica sobre isso.

Nenhuma proposta é enviada antes da conversa.